Porque poesia é algo que respiro...
O Cercado
De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardaddo do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó
Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado
De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias
Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado
Poema de Ana Paula Tavares, escritora Angolana nascida em 1952
Ana Bela
Olá amiga Bela!
ResponderEliminarEmbora eu não seja grande apreciadora de poesia,este poema é de facto lindo!
Bom domingo!
Beijinhos meus e do Aragão.