No tempo longo de convívio com tantas pessoas, já vimos partir muitos dos que preenchiam os nossos dias e de uma maneira ou de outra contribuíam para encher a nossa casa de risos.
Muitas vezes sentimos revolta e a impotência, perante a vontade de alterar o normal percurso da vida. Vida, que de um dia para o outro, nos leva os amigos.
Ontem partiu mais uma dessas pessoas. Deixa-nos muita saudade e a certeza que a sua recordação ficará sempre connosco.
Ana Bela
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Um dos escritores que mais leio é Mia Couto. Porque na mobilidade das ideias, vou ao longo da leitura, percebendo que as palavras podem ser inventadas.
É assim como guardar letras e mais letras e um dia, usá-las, misturá-las, moldá-las e escrever assim:
"...Avultado nome leva o esquilo que, somando, não chega nem a um quarto de quilo. Recertificado seja seu título: fique o esgrama.
Ao inverso, o hipopótamo. Acertado seria: o hiperpótamo...."
Mia Couto
"...De raspão quase o morcego se empassarava. No escuro-fusco, o mamífero aviador se orienta só de ouvido. Desgraça do morcego, então, era ser morsurdo..."
Mia Couto
Ana Bela
É assim como guardar letras e mais letras e um dia, usá-las, misturá-las, moldá-las e escrever assim:
"...Avultado nome leva o esquilo que, somando, não chega nem a um quarto de quilo. Recertificado seja seu título: fique o esgrama.
Ao inverso, o hipopótamo. Acertado seria: o hiperpótamo...."
Mia Couto
"...De raspão quase o morcego se empassarava. No escuro-fusco, o mamífero aviador se orienta só de ouvido. Desgraça do morcego, então, era ser morsurdo..."
Mia Couto
Ana Bela
terça-feira, 28 de abril de 2009
QUANDO
Vem ver-me
quando meu corpo adormecido
sonhar contigo
quando a chuva bater na vidraça
quando sair à rua
e tentar apanhar as gotas
que me fogem por entre os dedos
quando o pôr do sol
deixar uma cama de luz no mar
quando as ondas mansamente
se deitarem na areia
vem ver-me
quando a minha saudade
fizer doer
quando o meu sorriso se apagar
vem
vem ver-me
devagarinho, quando estiver
com pressa
quando…
se quando vieres
se vieres
vem ver-me.
Ana Bela
Vem ver-me
quando meu corpo adormecido
sonhar contigo
quando a chuva bater na vidraça
quando sair à rua
e tentar apanhar as gotas
que me fogem por entre os dedos
quando o pôr do sol
deixar uma cama de luz no mar
quando as ondas mansamente
se deitarem na areia
vem ver-me
quando a minha saudade
fizer doer
quando o meu sorriso se apagar
vem
vem ver-me
devagarinho, quando estiver
com pressa
quando…
se quando vieres
se vieres
vem ver-me.
Ana Bela
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Está a decorrer no Café Grilo um concurso para os mais pequeninos.Para esse efeito estamos a receber aquelas gracinhas (inteligentes) com que eles nos surpreendem nos momentos mais inesperados.Esteja com atenção, não deixe escapar nada do que eles inventam, escreva e entregue-nos, a melhor será premiada
Aqui está uma das muitas:
"A minha irmã deu dinheiro ao meu sobrinho de 5 anos, para comprar uma pastilha.
Quando voltou disse à mãe:
- Olha mãe!comprei esta e com o troco deram-me estas! "
Aqui está uma das muitas:
"A minha irmã deu dinheiro ao meu sobrinho de 5 anos, para comprar uma pastilha.
Quando voltou disse à mãe:
- Olha mãe!comprei esta e com o troco deram-me estas! "
domingo, 26 de abril de 2009
Será que há momentos de loucura, ou a normalidade do dia a dia foge-nos por vezes em direcção a algo que podemos fazer hoje e amanhã não?
Isto porque em quase 18 anos aconteceram coisas muito engraçadas no Grilo.
Como no dia em que um cliente chega ao balcão com o seu cigarro (no tempo longínquo em que havia cigarros), pede um café e tendo terminado o seu cigarro apaga-o na chávena de uma senhora que a seu lado bebia também o café.(claro que havia cinzeiros)
Tem continuação, são muitos os momentos hilariantes.
Isto porque em quase 18 anos aconteceram coisas muito engraçadas no Grilo.
Como no dia em que um cliente chega ao balcão com o seu cigarro (no tempo longínquo em que havia cigarros), pede um café e tendo terminado o seu cigarro apaga-o na chávena de uma senhora que a seu lado bebia também o café.(claro que havia cinzeiros)
Tem continuação, são muitos os momentos hilariantes.
sábado, 25 de abril de 2009
"...Tudo isto foi quando aprendi acerca dos grilos, até ter descoberto que afinal estes nobres animais muito mais tinham reservado para me mostrar.
Fiquei há uns dias a saber que se lhes dermos café a beber promovem a inspiração da escrita da prosa a todos os que com eles de perto convivem e, ainda se ao café acrescentarmos um queque, transformam-se em musas inspiradoras para a escrita da poesia.
Afinal, os grilos que tanto grilavam nas memórias da minha infância, quando lhes damos café em vez de alface, encurtam a distância entre uns quantos e a sua escrita e até as crianças e jovens adolescentes são atraídos pelo seu grilar, respondendo-lhe por escrito.
A escrita que para uns está tão longe, para uns, felizmente, encontra-se apenas à distância de um grilo.
Por causa dos grilos, descobri que as crianças de hoje também escrevem e por causa das crianças soube hoje que ainda se vendem grilos, mas a trezentos mil réis, como diria a minha avó que passou pelos escudos como eu vou passando por esta coisa do euro.
Sigam o vosso percurso e encham-nos de páginas escritas com o vosso grilar.
Pena tenho eu de que a minha avó só bebesse chicória!..."
João Pedro Fonseca
Excerto de um texto assinado por João Pedro Fonseca, publicado no nosso livro de Prosa volume IV
Fiquei há uns dias a saber que se lhes dermos café a beber promovem a inspiração da escrita da prosa a todos os que com eles de perto convivem e, ainda se ao café acrescentarmos um queque, transformam-se em musas inspiradoras para a escrita da poesia.
Afinal, os grilos que tanto grilavam nas memórias da minha infância, quando lhes damos café em vez de alface, encurtam a distância entre uns quantos e a sua escrita e até as crianças e jovens adolescentes são atraídos pelo seu grilar, respondendo-lhe por escrito.
A escrita que para uns está tão longe, para uns, felizmente, encontra-se apenas à distância de um grilo.
Por causa dos grilos, descobri que as crianças de hoje também escrevem e por causa das crianças soube hoje que ainda se vendem grilos, mas a trezentos mil réis, como diria a minha avó que passou pelos escudos como eu vou passando por esta coisa do euro.
Sigam o vosso percurso e encham-nos de páginas escritas com o vosso grilar.
Pena tenho eu de que a minha avó só bebesse chicória!..."
João Pedro Fonseca
Excerto de um texto assinado por João Pedro Fonseca, publicado no nosso livro de Prosa volume IV
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