Perguntaram uma vez ao poeta William Stafford: «Quando foi que resolveu ser poeta?»
Stafford respondeu que aquela pergunta era inteiramente fora de propósito. «Todos nós nascemos poetas», disse, «pois as pessoas descobrem aos poucos o modo como as palavras funcionam e soam em conjunto; as pessoas preocupam-se com as palavras e gostam delas. A pergunta a fazer seria, 'Porque é que as outras pessoas pararam de ser poetas'».
Ana Bela
sábado, 23 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Não resisto à tentação de transcrever excertos de prosa ou poesia dos nossos livros. Desta vez do Volume III, "reencontros à mesa do café" - Poesia -
gostas de rosas?
sim...gostei um dia.
Diz-me...
Quanto tempo passou
Até já não se venderem rosas?
Até deixares de mas oferecer,
E eu de tas pedir?
Quanto tempo se esgotou
Até perderem significado?
Até o constatarmos?
Era rara uma zanga e ainda assim surgia uma rosa
Para demonstrar que tudo era efémero....e acabou por ser.
Quanto tempo se escoou,
Até te esqueceres de me dar a mão,
Até não me lembrar de te dar a minha?
Abandonei-a perto de ti tantas vezes...
Estavas ausente
Tornei-me ausente.
Quanto tempo percorremos,
Até tudo nos ser indiferente,
Até não se venderem rosas,
Até não possuirmos mãos?
Tornámo-nos imperceptíveis,
impalpáveis, um ao outro...
As rosas ficaram pálidas,
o tempo avançou sobre elas,
Restando somente pó
e pétalas quebradiças.
Lembro-me da rua, lembro-me que era um final de tarde.
Lembro-me de não ter dito nada. Naquele dia soube que caminhávamos para o vazio e calei-me. Estava cansada. Fora mais um dia intenso de trabalho e nesse momento falhou-me a voz. Recostei-me no banco do carro e coloquei os óculos escuros de tal forma tinha a vista cansada. Anoitecia.
Devia ter-to dito. Pelo menos teria tentado.
Raquel Vasconcelos
gostas de rosas?
sim...gostei um dia.
Diz-me...
Quanto tempo passou
Até já não se venderem rosas?
Até deixares de mas oferecer,
E eu de tas pedir?
Quanto tempo se esgotou
Até perderem significado?
Até o constatarmos?
Era rara uma zanga e ainda assim surgia uma rosa
Para demonstrar que tudo era efémero....e acabou por ser.
Quanto tempo se escoou,
Até te esqueceres de me dar a mão,
Até não me lembrar de te dar a minha?
Abandonei-a perto de ti tantas vezes...
Estavas ausente
Tornei-me ausente.
Quanto tempo percorremos,
Até tudo nos ser indiferente,
Até não se venderem rosas,
Até não possuirmos mãos?
Tornámo-nos imperceptíveis,
impalpáveis, um ao outro...
As rosas ficaram pálidas,
o tempo avançou sobre elas,
Restando somente pó
e pétalas quebradiças.
Lembro-me da rua, lembro-me que era um final de tarde.
Lembro-me de não ter dito nada. Naquele dia soube que caminhávamos para o vazio e calei-me. Estava cansada. Fora mais um dia intenso de trabalho e nesse momento falhou-me a voz. Recostei-me no banco do carro e coloquei os óculos escuros de tal forma tinha a vista cansada. Anoitecia.
Devia ter-to dito. Pelo menos teria tentado.
Raquel Vasconcelos
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Por ocasião da edição dos livros do Grilo "Escrever é um lugar tão perto", uma amiga, a propósito, enviou-nos esta mensagem que não resisto a transcrever:
"Nutridos de sonhos, os clientes do "Grilo", adoçam o café com poesia e ousam escrever à mesa uma prosa de bolos...E fantasia.
Parabéns pela ideia, pela entrega."
Manuela Inácio
Ana Bela
"Nutridos de sonhos, os clientes do "Grilo", adoçam o café com poesia e ousam escrever à mesa uma prosa de bolos...E fantasia.
Parabéns pela ideia, pela entrega."
Manuela Inácio
Ana Bela
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Um poema de Miguel Torga para recordar que a segunda sessão está à porta.
Dia 3 de Junho.
Brinquedo
Foi um sonho que tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Miguel Torga
Ana Bela
Dia 3 de Junho.
Brinquedo
Foi um sonho que tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Miguel Torga
Ana Bela
terça-feira, 19 de maio de 2009
Hoje deparei numa revista com as filhas do António Feio. Custou-me perceber que estava a ver as adolescentes que passavam aqui as tardes comendo queques.
Comprovei a muito custo que embora gostássemos, não podemos parar o tempo e que tudo se repete dia após dia, sem nos apercebermos que o nosso relógio biológico é incansável nas suas voltas consecutivas.
Com os cabelos a branquear encosto as rugas à vidraça da vida e abro a boca de espanto.
Meu Deus! Como crescem....
Ana Bela
Comprovei a muito custo que embora gostássemos, não podemos parar o tempo e que tudo se repete dia após dia, sem nos apercebermos que o nosso relógio biológico é incansável nas suas voltas consecutivas.
Com os cabelos a branquear encosto as rugas à vidraça da vida e abro a boca de espanto.
Meu Deus! Como crescem....
Ana Bela
Subscrever:
Mensagens (Atom)

