domingo, 20 de março de 2011


Quando iniciei este blog, perguntei assustada ao Pedro se tinha que escrever todos os dias, confirmou as minhas suspeitas. Hoje eu não tenho mesmo imaginação. Assim, vale mais uma imagem que muitas palavras.
Juntos o que eu tanto gosto, crianças e animais.
Ana Bela

sábado, 19 de março de 2011

Quando escrevia o post do estendal, lembrei-me de tantas coisas que já não vejo, é certo que a evolução tem que se fazer, mas eu sou do tempo em que só havia leite de vaca a sério e que se vendia de porta em porta (mas o leite ainda é de vaca não é?) Bolas de berlim, fava rica, peixe, hortaliça, Eu também sou do tempo em que no Verão, as mães à janela falando umas com as outras nos viam jogar à malha na rua onde podiamos desenhar à vontade pois os carros eram uma miragem ocasional. E crescemos entre bolas de trapo e panelinhas de lata compradas no Grandela. Eu fui feliz. Depois, contra a minha vontade cresci, meteram-me no Instituto de Odivelas. Também fui feliz mas noutra dimensão.
Ana Bela

sexta-feira, 18 de março de 2011

Este é o tempo e não sei porquê, de eu me estar a transformar em tristeza. Há poucas coisas que me animam, será que a idade tem algo a ver com este estado?
Ontem, alguem me dizia; "mas que ar tão triste" e eu que até pensava que tinha um ar normal!
Como somos trânsparentes...





Ana Bela

quinta-feira, 17 de março de 2011


Esta fotografia fez-me voltar à idade de 4/5 anos. Morava em Campo de Ourique e a minha rua era colorida, todas as pessoas tinham a roupa a secar fora da janela. Hoje não há côr pendurada nas janelas. E que saudades da campainha do carrinho dos gelados...
Não foi só o colorido das roupas no estendal, também as pessoas perderam o arco-íris.
Ana Bela

quarta-feira, 16 de março de 2011

Esta é lá do Grilo

Um senhor chega ao balcão e pergunta de que são os queques e logo de seguida qual o melhor. Não deu tempo ao Pedro de responder e resolveu-se por um de limão. Comeu na esplanada e antes de se ir embora, entreabriu a porta e disparou: vocês até podem pôr pregos ou cortiça dentro dos queques, que eles são sempre bons.
Aconteceu hoje mesmo.





Ana Bela

terça-feira, 15 de março de 2011

Esta é cá da casa


Uma estrela do mar é sempre algo que me recorda o Pedro com 5 anos.
Num dia de Verão, foi o menino logo por a manhã à praia com a escola, contente, com o seu lanche a sua toalha e mais aquelas coisas que nestas idades se teima em levar.
Fui esperar a criança à porta da escola. Todos sairam e o senhor Pedro foi o ùltimo. Vinha em fato de banho com as mãos atrás das costas. Espantada perguntei porque vinham todos vestidos e ele não. Pois! o safadinho com aquele ar de quem não parte um prato diz-me que perdeu tudo na praia, mas que me trazia aquela estrela do mar.
Como é que eu ia ralhar?
Ana Bela

segunda-feira, 14 de março de 2011

Tenho falta de poesia e por isso um poema dos mais bonitos, para o meu gosto claro, de Nuno Júdice.


Espelho

Às vezes, queria ter uma palavra
para te ver, tão leve como a flor,ou
tão doce como o amor; queria saboreá-la,
como se fosse um torrão - ou dizê-la

como fácil suspiro, sem dor nem tristeza.
De outras vezes, queria envolvê-la numa
espuma de frases, escondê-la sob a névoa
do verso, ou atirá-la ao vento que a

confundisse com a mais branca nuvem.
Mas essa palavra só existe porque diz
o que és, quando a digo; e se a não

digo, também o silêncio se transforma
em palavra, para que o espelho do poema
se abra, e nela o teu rosto me sorria.




Ana Bela