Este mês vou voltar com um autor que me dá um enorme prazer ler, Mia Couto. Da vasta obra de Mia, não conseguiria destacar o que mais gostei de ler, sei que cada livro me transporta a África e cada palavra que ele transforma ou descobre, é um pleno exercício de poesia. Vamos pois redescobrir as abensonhadas palavras.
Ana Bela
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Os amigos mandam flores
Cris, estas são as rosas mais bonitas que já me mandaste, são tão amarelas, tão direitinhas, tão tantas tão pequeninas e ternurentas. Obrigada, começas a sentir quando eu preciso de rosas sem gritar por elas. A cor amarela tem várias implicações na nossa personalidade, dizem aqueles que acreditam, nada do que à cor amarela diz respeito se enquadra em mim. Gosto desta cor porque gosto e porque se estou triste ela dá-me luz.
Ana Bela
Ana Bela
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Francisco
Um dia um amigo disse-me que no meu blog não se diz mal de ninguém, não se fala de política, não se fala de religião.
Tenho explicação para isso:
- Quem sou eu para criticar as atitudes dos outros
- Quanto à política, sou a partidária, cada um veste a cor que quer.
- Com a religião é mais complicado. Eu que andei anos e anos num colégio interna, eu que cheia de sono e de fome, tinha que antes do pequeno almoço ir à capela fazer as orações da manhã (passávamos no corredor do refeitório e cheirava a café com leite). Todos os dias havia missa por alma da mãe de uma das professoras que eu nem conheci. Todas as semanas tinha obrigatoriamente que me confessar e eu não tinha espaço para pecados, os muros eram demasiado envolventes e as saídas estavam guardadas por soldados.
Cansada de aulas, estudos, música, piano, orfeão e tudo o que se faz para preencher um dia de 500 alunas fechadas, cheia de sono, tinha que ir novamente à capela fazer a oração da noite. Não é assim tão linear ser aluna no Instituto de Odivelas.
Toda esta prosa para dizer que agora só vou a uma igreja, quando morre um amigo, quando se batiza um amigo, quando casa um amigo.
E agora falo de religião, porque não sabia ser possível haver um Papa que diz o que diz e faz o que faz. Agora, talvez eu volte a falar de religião. Obrigada Francisco.
Ana Bela
Tenho explicação para isso:
- Quem sou eu para criticar as atitudes dos outros
- Quanto à política, sou a partidária, cada um veste a cor que quer.
- Com a religião é mais complicado. Eu que andei anos e anos num colégio interna, eu que cheia de sono e de fome, tinha que antes do pequeno almoço ir à capela fazer as orações da manhã (passávamos no corredor do refeitório e cheirava a café com leite). Todos os dias havia missa por alma da mãe de uma das professoras que eu nem conheci. Todas as semanas tinha obrigatoriamente que me confessar e eu não tinha espaço para pecados, os muros eram demasiado envolventes e as saídas estavam guardadas por soldados.
Cansada de aulas, estudos, música, piano, orfeão e tudo o que se faz para preencher um dia de 500 alunas fechadas, cheia de sono, tinha que ir novamente à capela fazer a oração da noite. Não é assim tão linear ser aluna no Instituto de Odivelas.
Toda esta prosa para dizer que agora só vou a uma igreja, quando morre um amigo, quando se batiza um amigo, quando casa um amigo.
E agora falo de religião, porque não sabia ser possível haver um Papa que diz o que diz e faz o que faz. Agora, talvez eu volte a falar de religião. Obrigada Francisco.
Ana Bela
sábado, 5 de outubro de 2013
Todos, penso eu, têm um livro, uma música, um poema a que chamam das suas vidas. Eu também, mas como a poesia é algo que eu como, bebo, saboreio, tenho muitos poemas que são os da minha vida. Este é um deles, é grande, mas grande em tudo.
Eugénio de Andrade
ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Ana Bela
Eugénio de Andrade
ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Ana Bela
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Estou a escassas 3 horas de fazer 40 anos de casada. Honestamente agora que aqui cheguei e estou tão distante dos meus vinte anos, só posso dizer que voltaria a fazer tudo igual e garantir que o Amor não se procura, encontra-se. Hoje também sei que ele (o Amor) se vai metamorfoseando ao longo da vida mas nunca deixa de ser aquele sentimento com o qual nos deparamos quando de mãos dadas corríamos na praia e hoje nem de mãos dadas o fazemos porque as pernas se gastaram, mas o Amor não...
Ana Bela
Ana Bela
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