sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Quarenta e dois anos

Daqui a algumas horas já dia 3 de Outubro, faço 42 anos de casada. Alguns dirão que horror...
mas para mim não tem sido. Talvez para o Duarte, pois ele é a face calma, tranquila, animadora, bem disposta (sempre) e eu a outra face que tem completado o conjunto, sou mimada, apressada, refilona, mal humorada (às vezes) , penso a mil, ando a cem, as minhas vontades nem que seja para se pregar um prego, ou mudar uma lâmpada, a dois mil, Sou um turbilhão de ideias. O Duarte um mar calmo e sereno.
Tem sido muito bom estar casada há tantos anos.

Os últimos 24 anos, o Grilo dorme na nossa cama e o amor é aos pedaços. Mas com boa vontade colamos os pedaços com esse mesmo amor e lá vamos nós calendário após calendário.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Os amigos ou o meu egoismo...

É possível ter um amigo daqueles que cabem nos dez dedos das nossas mãos, um daqueles verdadeiros e mesmo assim querermos que ele seja ainda mais amigo mais atento mais presente?
O mal é querer que um amigo não tenha outros amigos que seja só meu, que partilhe só comigo.
Assumo que é egoísmo, assumo que são senilidades de 63 anos.

EU cheguei ao Grilo com 39 anos quem diria que por mais que queira apanhar o tempo e os amigos
me ajudem a correr atrás dele, o safadinho não corre, voa.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Clara

A minha companheira do banquinho da cozinha, desde os dois anos que diariamente ali fazia desenhos, me pedia um queque e queria sempre saber o que eu estava a fazer, cresceu, e este ano entrou na escola ao pé de nós.
O bom disto tudo é que eu tenho outra vez companheira de banquinho que continua a pedir um queque que eu lhe dou com muita alegria, e não mudou nada. Salvo que eu já não lhe chamo Clarinha. A primeira vez que lhe chamei Clara ela olhou-me de olho azul desorientado . Expliquei que agora no primeiro ano já era uma menina crescida.
Todos os dias me maravilho com as crianças e as flores.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

nem sei se volto...


Posso usar a imaginação tal como o pensamento, sem que mos tirem, por isso, como " Fui ser feliz e não voltei", ainda estou perdida entre um livro e uma rosa amarela.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Os livros

Sei que isto se faz para acharmos graça, para sabermos que há pessoas com muita imaginação, para no fim do dia quando vamos à net nos rirmos um pouco. Eu não ri um pouco ri muito porque tem dias que me apetece ter a mesma atitude. Fugir, não voltar e ser feliz a ler os meus livros inacabados outros nem começados. Lembro que há relativamente pouco tempo uma brasileira andou por lá a roubar. Foi presa e as imagens da televisão, era uma senhora rodeada de livros, porque esta foi a maneira que encontrou para poder ler. Disse basta aos tachos, à roupa para lavar, ao ferro de engomar e foi ser feliz...

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Mais um apelo

Meus amigos, com a vossa preciosa colaboração, fizemos a biblioteca do Grilo, ajudámos a encher as estantes da Biblioteca das mulheres que não existia, na prisão de Tires, temos levado até ao Centro Comunitário de Carcavelos, dezenas de livros escolares para aumentar o banco que criaram no sentido de ajudar alunos carenciados. Estamos a ajudar a Escola mesmo ali ao lado a criar uma biblioteca aberta à comunidade e não só aos alunos.
Para mim é uma alegria sempre que chegam os sacos e os caixotes. Seguramente porque vão dar alegria a outros.
Os meus pedidos nunca acabam, sei por experiência própria que se deve dar uma volta aos nossos livros (salvaguardando os clássicos e os autores que fizeram épocas). Há sempre aqueles romances que não vamos ler mais, aqueles que enchem somente.. São esses excedentes que vos peço, certa que farão as delícias de quem gosta de ler.
Obrigada  

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O tal do bichinho (poesia)

Um Abraço

Vou negociar um abraço
no cansaço da espera,
numa dança contigo,
no turbilhão da magia, 
na invenção de sonhos

porque no silêncio das palavras
não sei como negociar desabraços.

Antes que o tempo se esgote
antes mesmo que a vida acabe,

vou negociar um abraço
antes que não haja desculpa
antes que não existam abraços.
         Ana Duarte