quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O cheiro

Tenho tantos cheiros na minha memória, que até consigo achar que cheiro é o que fica para sempre dentro dela.
Sinto o cheiro de arroz doce que a mãe fazia na cozinha, se fechar os olhos sei que a qualquer momento vai chegar a taça e cheirar a canela quente.
Sinto o cheiro da tua pele, mesmo que já não estejas aqui
Sinto o cheiro do sabão azul e branco com que se lavava a roupa...
Tenho tantos cheiros na minha memória arquivados, tanto cheiro a noites quentes de Verão, que posso sempre ir buscar um a um e passear com eles de mão dada embalada no cheiro a cera fresca da casa da minha mãe.


cito
 " Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos"

Carlos Ruiz Zafón

sábado, 14 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Milan Kundera o meu preferido dos 20 anos

Ando com vontade de voltar a ler alguns livros de Milan Kundera. Também ando com vontade de separar estes dois Mundos onde vivo pois que o imaginário onde me deito à noite não me deixa estar bem acordada no Mundo onde me levanto e ando e trabalho e abraço os amigos e sorrio (talvez por vezes).

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Grilo que canta

O Grilo continua a cantar... Quando escrevo sobre os empréstimos que quase todos os dias nos pedem, nunca é em ar de aborrecimento. Primeiro porque gostamos de saber que podem contar connosco, depois porque todos nos entregam o que pediram.
Mas há muitos anos que eu venho dizendo que faz falta por ali uma loja de conveniência, no entanto nestes anos todos, já houve algumas mercearias e fecharam,

_O rol de hoje.

 Salsa
 Dois pacotes de leite
 Um quilo de açúcar
 Dois ovos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Grilo Mágico

Primeiro passo
Hoje, alguém nos pediu 3 cenouras para fazer um bolo.

Segundo passo
Aparecem as meninas que  ajudavam na confeção, pedindo uma balança pequenina.

Terceiro passo
Só temos uma balança industrial que é muito pesada. As meninas resolvem o Quarto passo.
Vão embora e quando voltam trazem um pacote de açúcar e um de farinha e pedem para pesar 280 gramas de cada. o mais engraçado é que estavam trajadas a rigor até com o pormenor do chapéu de cozinheiro daqueles que parecem uma chaminé e um avental que as cobria até aos sapatos.

O Grilo é o Grilo.
Será que existe por ai perdido algum Grilo que cante tanto como o nosso?

sábado, 7 de novembro de 2015

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Todos os dias deviam ser um poema

David Mourão Ferreira
         

          Nocturno

Eram na rua, passos de mulher.
Era o meu coração que os soletrava.
Era, na jarra, além do malmequer,
espectral o espinho de uma rosa brava...

Era, no copo, além do gim, o gelo;
além do gelo , a roda de limão...
Era a mão de ninguém no meu cabelo.
Era a noite mais quente deste verão.

Era no gira-discos, o Martírio
de São Sebastião, de Debussy...
Era, na jarra, de repente, um lírio!
Era a certeza de ficar sem ti.

Era o ladrar dos cães na vizinhança.
Era, na sombra, um choro de criança...