Todos, penso eu, têm um livro, uma música, um poema a que chamam das suas vidas. Eu também, mas como a poesia é algo que eu como, bebo, saboreio, tenho muitos poemas que são os da minha vida. Este é um deles, é grande, mas grande em tudo.
Eugénio de Andrade
ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Ana Bela
sábado, 5 de outubro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Estou a escassas 3 horas de fazer 40 anos de casada. Honestamente agora que aqui cheguei e estou tão distante dos meus vinte anos, só posso dizer que voltaria a fazer tudo igual e garantir que o Amor não se procura, encontra-se. Hoje também sei que ele (o Amor) se vai metamorfoseando ao longo da vida mas nunca deixa de ser aquele sentimento com o qual nos deparamos quando de mãos dadas corríamos na praia e hoje nem de mãos dadas o fazemos porque as pernas se gastaram, mas o Amor não...
Ana Bela
Ana Bela
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Ana Bela
sábado, 28 de setembro de 2013
Crianças
Esta manhã estava uma mãe ao balcão enquanto a filha de dois anos se entretinha a remexer os brinquedos.
O Pedro perguntou à menina o que queria ser quando fosse grande, resposta rápida; Quero ser mágica para fazer a mãe mais bonita, pintava de cor de rosa aqui aqui e aqui, e com os deditos foi apontando a boca o nariz e os olhos. Ninguém se lembra destas coisas a não ser mesmo a magia das crianças.
Ana Bela
O Pedro perguntou à menina o que queria ser quando fosse grande, resposta rápida; Quero ser mágica para fazer a mãe mais bonita, pintava de cor de rosa aqui aqui e aqui, e com os deditos foi apontando a boca o nariz e os olhos. Ninguém se lembra destas coisas a não ser mesmo a magia das crianças.
Ana Bela
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
O Workshop que a Rita preparou não teve adesão, o que quer dizer que ninguém quer aprender a fazer rabiscos. Ouvimos todos os dias as pessoas lamentar que não há nada para fazer e a vida resume-se para muitos na passeata que fazem de casa para o trabalho e vise versa. Alguns mais afoitos vão até ao paredão.
Embora esta iniciativa tenha sido sugerida por a Rita que nos pediu um espaço, lamento que não tenha sido o que ela estava à espera. Mas lamento muito mais que ninguém tenha querido aprender a desenhar queques e as lindas árvores do Jardim Constantino. Procurem, pesquisem, que vão ver as coisas que há por ai para mudar a rotina.
Rita, continua...
Ana Bela
Embora esta iniciativa tenha sido sugerida por a Rita que nos pediu um espaço, lamento que não tenha sido o que ela estava à espera. Mas lamento muito mais que ninguém tenha querido aprender a desenhar queques e as lindas árvores do Jardim Constantino. Procurem, pesquisem, que vão ver as coisas que há por ai para mudar a rotina.
Rita, continua...
Ana Bela
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