quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O País que escolheram para mim

Não falo de política, não falo de futebol.
Acho que todos são honestos.
Acho que quem sorri para mim é meu amigo.
Embalo-me (penso agora) em demasiada poesia.
Gosto de um bom livro e quando acaba não acaba para mim.
Faço as minhas histórias e são sempre sem raiva.

Conclusão: creio ser uma pessoa inteligente, tenho a certeza que não uso tudo o que podia usar da minha inteligência porque seria então um génio.

Só pretendia saber que País é este onde vivo. Tudo o que parece não é. Dá a sensação que algumas, muitas pessoas andaram uma vida inteira a enganar e a tentar enganar-se.

Não, eu não gosto deste País onde os meus pais me escolheram e o mais triste, onde me deixaram sozinha e mais grave, toda a vida me ensinaram o contrário do que vejo e oiço todos os dias.

Ana Bela

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Grilo de pernas para o ar

Hoje olhei de longe para o meu café e achei que todo o meu pequeno espaço mais parecia um filme não diria de terror, porque todos estavam perfeitamente contentes, mas um daqueles filmes virtuais.
Uns meninos brincavam sentados no chão, outros jogavam 4 em linha com o pai, um chorava queria a camioneta e tinha chegado tarde, enfim, também as mães estavam felizes e entre elas os segredos faziam ouvir-se as gargalhadas. Se nunca viram, podem sempre comprovar que de manhã o Grilo é um pandemónio até que aqueles meninos sejam metidos na escola. Foi delicioso aquilo que vi com olhos que nunca tinha usado. Como a memória também fica nos olhos, não vou esquecer.

Ana Bela

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As duas metades de mim

Porque a minha vida é metade saudades e outra metade poesia...


A verdade deste dia

É olhar de mim para mim
E perceber que nada sou e nada quero
É rebentar em marés baixas
E naufragar com pé
Deitar-me na areia
E ser apenas mais um grão deste mar louco de gente

É saborear o nada e engasgar-me
E perceber que o grão que sou
Se escapa por entre os dedos de quem quero ser

E choramingar num canto por dentro da minha amargura

Ana Ventura

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A lagostinha que entrou na rede

Esta lagosta pesava 250 gramas. Parece maior não é? A história tem a sua graça, um amigo do Pedro que todos os dias vai à pesca, deita as redes de noite a ao outro dia vai levantá-las, entrou ontem no Grilo mais os 3 amigos da faina para beber café, trazia pendurada por uma patita a lagosta viva  que se debatia no ar e disse dando a lagosta ao Pedro isto é para pagar 4 cafés. Assim foi, tivemos é que fazer uma maldade enfiar um animal vivo dentro de água a ferver. Como contado, tudo pode acontecer naquele Café. São momentos que nos fazem rir.


Ana Bela

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A escola leva os meus mimos

Se não fossem os nascimentos constantes de nova crianças, eu ia ficar muito triste. Todos os anos acontece a mesma coisa e eu tenho dificuldade em perder os carinhos matinais, mas as minhas crianças quando vão para a escola, tornam-se logo os doutores das redondezas e acabam-se os beijinhos e os abraços.
A escola dá-lhes imediatamente um estatuto de importantes que eu acho estar directamente relacionado com o peso que levam às costas.


Ana Bela

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Inverno

Parece que chegou mesmo o Inverno, aquela estação do ano que eu gostaria que não existisse embora lhe dê a importância que tem para as nossas sopas, saladas e não SÓ. Ontem e hoje foram dois dias em que eu teria gritado por uma rosa amarela, mas no dia 3 de Outubro ao fazer 41 anos de casada, o Duarte deu-me tantas que quando tenho neura, olho a fotografia. Quantos meses dura o Inverno? Tantos!

Ana Bela

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os sabores do Grilo

Hoje um amigo que todos os anos nos faz a sua encomenda de Natal e que neste momento trabalha na Figueira da Foz, veio ao Grilo e depois da troca de beijinhos, porque a ausência é na realidade muito grande, disse-me que toda a família vai passar o Natal na Figueira porque comprou uma casa para a sua enorme família. Depois disse-me o que eu não estava à espera. Durante muitos anos foi a Bela que fez as nossas coisas e este ano vai fazer outra vez, pois eu venho buscar tudo e levo para a Figueira.
Achei graça e claro que gostei. Diz ele que a família está habituada aos sabores do Grilo e não quer mudar. Obrigada.

Ana Bela