quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A memória

A nossa memória é algo impressionante. Estava eu sentada na explanada a fumar um cigarro e a mascar uma pastilha elástica, quando distraidamente fiz um balão. Aqui há que dizer que quando dava aulas, no primeiro dia de apresentação dizia aos alunos: meus amigos, eu adoro pastilha elástica, portanto distraidamente posso trazer uma na boca, assim voçes podem mascar pastilha mas se vir balões, deitam logo a pastilha fora.
Nesse dia na explanada, ouvi uma voz que me disse; então stora, se fizer balões tem que deitar a pastilha fora... 23 anos depois ele não esqueceu... nem de mim nem da pastilha.


Ana Bela

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Encomendas de Natal

A lista de encomendas para o Natal já se encontra ao dispor de quem nos dá a sua preferência.
É só pedir a um de nós, ou simplesmente retirar uma do expositor que se encontra em cima do balcão.

Ana Bela

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Os ovos e as galinhas

A árvore de Natal numero 23 do Grilo,  reciclada como todas ao longo de tantos anos.
Há sempre quem esteja à espera de testar a minha imaginação espero não ter desiludido ninguém.

Ana Bela

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Acordei no mesmo

Passou a noite com muita chuva e quando acordei comprovei que o País era o mesmo. Não nasci em Angola, mas passei lá muitos anos tantos como os que duraram as comissões do meu pai que era da Marinha de Guerra. Ele ria quando eu bem pequenina dizia mesmo sem me perguntarem que era de Angola. Sei que por enquanto aquela terra tão quente e tranquila, é um caos. Hoje eu diria novamente que aquela é a minha terra. Estou velha para fazer a trouxa e partir, mas mesmo assim ainda iria.

Ana Bela

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O País que escolheram para mim

Não falo de política, não falo de futebol.
Acho que todos são honestos.
Acho que quem sorri para mim é meu amigo.
Embalo-me (penso agora) em demasiada poesia.
Gosto de um bom livro e quando acaba não acaba para mim.
Faço as minhas histórias e são sempre sem raiva.

Conclusão: creio ser uma pessoa inteligente, tenho a certeza que não uso tudo o que podia usar da minha inteligência porque seria então um génio.

Só pretendia saber que País é este onde vivo. Tudo o que parece não é. Dá a sensação que algumas, muitas pessoas andaram uma vida inteira a enganar e a tentar enganar-se.

Não, eu não gosto deste País onde os meus pais me escolheram e o mais triste, onde me deixaram sozinha e mais grave, toda a vida me ensinaram o contrário do que vejo e oiço todos os dias.

Ana Bela

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Grilo de pernas para o ar

Hoje olhei de longe para o meu café e achei que todo o meu pequeno espaço mais parecia um filme não diria de terror, porque todos estavam perfeitamente contentes, mas um daqueles filmes virtuais.
Uns meninos brincavam sentados no chão, outros jogavam 4 em linha com o pai, um chorava queria a camioneta e tinha chegado tarde, enfim, também as mães estavam felizes e entre elas os segredos faziam ouvir-se as gargalhadas. Se nunca viram, podem sempre comprovar que de manhã o Grilo é um pandemónio até que aqueles meninos sejam metidos na escola. Foi delicioso aquilo que vi com olhos que nunca tinha usado. Como a memória também fica nos olhos, não vou esquecer.

Ana Bela

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As duas metades de mim

Porque a minha vida é metade saudades e outra metade poesia...


A verdade deste dia

É olhar de mim para mim
E perceber que nada sou e nada quero
É rebentar em marés baixas
E naufragar com pé
Deitar-me na areia
E ser apenas mais um grão deste mar louco de gente

É saborear o nada e engasgar-me
E perceber que o grão que sou
Se escapa por entre os dedos de quem quero ser

E choramingar num canto por dentro da minha amargura

Ana Ventura