segunda-feira, 4 de maio de 2009

Chegou o mês de Maio e com ele mais dois livros que recomendo vivamente.
Sei que as leituras que uns gostam, a outros não dizem nada, mas estes dois temas, a morte de um pai e a amizade, decerto dizem muito a todos os que gostam de ler.
Cito:

"Morreste-me"

"passei a noite sozinho. Sentado ao lume que não arde, como se me visitasses"

José Luís Peixoto


"As velas ardem até ao fim", um hino à amizade, de ler e reler. Mais, a partir de certa altura até ao fim, apetece voltar atrás tantas vezes quantas o tempo nos deixar.
Ia contar mais um momento hilariante, mas deparei com esta fotografia de uma das crianças do Grilo e perante o silêncio dela calei-me...

Fotografia: Pedro Duarte

Ana Bela

domingo, 3 de maio de 2009

sonhei

sonhei-te, quando
os lobos uivam lá fora
quando a noite entoava o seu cântico calado

sonhei-te, como se sonham os possíveis
dos impossíveis
como se sonham dos máximos os mínimos

sonhei-te, como se fora a mais pequena
partícula da tua matéria
o teu átomo.

Acordo sempre assustada
mas hoje fiquei adormecida.
O sonho era meu
fiquei!

Com ousadia prolonguei-me
no teu olhar.
Tocaste-me docemente
como se fora um jogo de paciência
com gozo.

E com o mesmo gozo
deixei-te penetrar o meu casulo
a minha capa.

Deixei que me sonhasses
antes que o dia acordasse.


Ana Bela

sábado, 2 de maio de 2009

Quando não estamos por cá

Tudo começou com uma brincadeira depois de ouvir os lamentos dos amigos, quando às portas de Agosto se lembram que vamos de férias.
Como as nossas cabeças estão sempre a germinar ideias, resolvemos desafiá-los a enviarem um sms ou simplesmente introduzir por baixo da porta a saudade.
Não é que resultou? Pois bem, começo hoje a transcrever as mensagens que nos chegaram ano após ano. Alguns se lembrarão de as ter escrito, outros de as ver afixadas.
Mas para os mais distraídos....

"Sabes quanto te apetece um queque!?
Mas apetece-te tanto, tanto, tanto um queque que até chateia, é daqueles dias que se não comeres um queque, não ficas feliz...
A vontade é tanta, tanta, tanta que vens no caminho a babar-te no carro por aquele queque maravilhoso de chocolate derretido....
Sabes quando isso acontece...!?!?!
SABES!? SABES!?
....Então cala-te!!!

Miguel Maria
Agosto 2004

sexta-feira, 1 de maio de 2009

No tempo longo de convívio com tantas pessoas, já vimos partir muitos dos que preenchiam os nossos dias e de uma maneira ou de outra contribuíam para encher a nossa casa de risos.
Muitas vezes sentimos revolta e a impotência, perante a vontade de alterar o normal percurso da vida. Vida, que de um dia para o outro, nos leva os amigos.
Ontem partiu mais uma dessas pessoas. Deixa-nos muita saudade e a certeza que a sua recordação ficará sempre connosco.

Ana Bela

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Hoje, tenho pouco para escrever mas muito para pensar. Contudo deixo para todos os que nos visitam a interpretação da frase que um amigo me transmitiu hoje no Grilo:

"Este café é uma metáfora da vida"

Fotografia:Pedro Duarte

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Um dos escritores que mais leio é Mia Couto. Porque na mobilidade das ideias, vou ao longo da leitura, percebendo que as palavras podem ser inventadas.
É assim como guardar letras e mais letras e um dia, usá-las, misturá-las, moldá-las e escrever assim:

"...Avultado nome leva o esquilo que, somando, não chega nem a um quarto de quilo. Recertificado seja seu título: fique o esgrama.
Ao inverso, o hipopótamo. Acertado seria: o hiperpótamo...."

Mia Couto

"...De raspão quase o morcego se empassarava. No escuro-fusco, o mamífero aviador se orienta só de ouvido. Desgraça do morcego, então, era ser morsurdo..."

Mia Couto



Ana Bela